
A decisão de incluir carne no cardápio da Cúpula dos Povos — um evento que deveria simbolizar resistência, ecologia e enfrentamento ao modelo destrutivo do agronegócio — revela uma contradição profunda entre discurso e prática ambiental do governo brasileiro. A escolha gerou revolta entre ativistas, movimentos sociais e até mesmo figuras reconhecidas internacionalmente pelo ativismo ambiental, como Paul McCartney, que criticou publicamente a incoerência de se servir carne em um evento voltado para debater o clima.
Quando o “verde” é só discurso
O governo vende a ideia de que a Cúpula dos Povos representa um marco ambiental e social, um espaço de participação cidadã. Porém, ao manter a carne — símbolo máximo do modelo agroindustrial destrutivo — como parte oficial da alimentação, escancara que a narrativa ambiental serve mais como vitrine para investidores do que como compromisso real com o planeta.
A chamada “governança verde” funciona como marketing político: enquanto se fala em sustentabilidade, nada é feito para frear o avanço da pecuária extensiva, o desmatamento, os conflitos fundiários e o modelo exportador extrativista que devasta biomas e comunidades.
Paul McCartney e a crítica internacional
A crítica de Paul McCartney ecoou mundialmente: para ele, incluir carne em conferências climáticas é hipocrisia. E ele está certo. Não se trata de “gosto pessoal”, mas de coerência mínima com aquilo que o próprio governo diz defender. Um evento climático não pode simultaneamente denunciar a crise ambiental e celebrar o setor que mais contribui para emissões, desmatamento e perda de biodiversidade.
A reação popular escancara a farsa
Enquanto o Estado serve carne, movimentos sociais organizaram banquetaços, cozinhas coletivas e práticas políticas baseadas em agroecologia, compartilhamento e soberania alimentar. As iniciativas populares revelam que soluções reais já existem — mas são invisibilizadas por um governo que prefere agradar setores industriais e garantir sua parcela nos investimentos “verdes”.
Na perspectiva vegana e eco-anarquista, o problema não é apenas o prato servido, mas o sistema que ele representa: uma cadeia de exploração animal, destruição ambiental, desigualdade social e concentração de poder econômico. A Cúpula dos Povos poderia ser exemplo de ruptura. Transformou-se, porém, em mais um palco onde o Estado encena compromisso enquanto preserva intocado o núcleo capitalista da devastação.

O prato é político — e a luta também
Servir carne em um evento climático não é detalhe: é decisão política. É anúncio de que não haverá ruptura com o que destrói florestas, povos e animais. É o recado de que a agenda ambiental será usada como moeda de negociação, não como mudança estrutural.
A resposta precisa continuar vindo de baixo: dos coletivos, das comunidades, dos territórios e das cozinhas que constroem alternativas reais. E de uma crítica firme que aponte, sem medo: a sustentabilidade do governo é fachada. A transformação verdadeira é popular, vegana, anticapitalista e eco-anarquista.



